A importância do método científico

Se você for uma pessoa que acompanha o que acontece no mundo contemporâneo com certeza já viu como a informação pode divergir, pode ter escutado um milhão de linhas de raciocínio, algumas com certezas bem profundas, mas sempre falhas em determinado ponto ao tentar ter o conhecimento.  Mas mesmo não podendo explicar questões corriqueiras, você continuou levando sua a vida normalmente, afinal, como lidar com o mundo, será uma questão bem pessoal, e enquanto alguns seguem dogmas e desígnios absolutos, outros consideram a dúvida e o poder de questionar e resolver mistérios uma benção.

A verdade é que conhecimento e informação se fazem de todas as formas e não existe autoridade ou jurisdição que vá delimitar isso. Mas existe uma linha específica de pensamento em que se pode colher informações de maneira  muito mais eficiente e de forma bastante prática, observando como os fatos podem ter uma mecânica em que atuam independente da nossa consciência sobre eles.  Pensamento esse conhecido como método científico, nome que provavelmente não lhe é nenhuma novidade, e que elabora as suas descobertas através fatos que podemos palpar e descrever. O modo como ele se ordena é:

  1. Observação: Ver o que está acontecendo;
  2. Questionamento: O que você quer descobrir dentro daquilo que está acontecendo;
  3. Formular Hipótese: Que será a possível resposta daquele problema que você quer resolver, resposta elaborada por uma linha de raciocínio coerente;
  4. Experimento: Testar o que você observou a partir da resposta que você formulou;
  5. Conclusão: Observar o que aconteceu no final e comparar com o que você esperava.

De forma resumida o método se baseia em pegar um problema concreto, pensar em uma forma de resolvê-lo e assim solucionar a problemática de forma visível e com justificativas coerentes. Esse é o caminho que físicos, químicos e biólogos entre outros realizam que podem melhorar nossas vidas. E se quiser uma prova disso, observe tudo o que o cerca e verá que provavelmente pelo menos 70% do seu dia depende de alguma coisa que só pôde ser criada devido a elaboração anterior do método científico. A ciência em si está longe de querer elaborar e impor verdades frente às pessoas, mas sim trazer reflexões que só tem a acrescentar a sua vida.

Até esse ponto da prosa você pode ter entendido que devemos confiar em todo discurso que sai da boca de quem trabalha com essa estratégia metodológica, mas não. O objetivo é sermos críticos com toda a informação que nos cerca. Não só pra saber se devemos confiar no que nos dizem, mas pra poder levar a sua vida de forma mais segura, afinal o ponto mais importante dessa prática é o questionamento.

Você pode ser metodológico com o modo como o médico está tratando o seu pai e o que ele considera ser a sua doença. Pode ser com modo como alguém está sendo julgada e pelo que fez, como você pode fazer a sua firma funcionar melhor, como você pode estudar de forma mais prática para aquele vestibular. Você pode observar o temperamento agressivo de um filho ou amigo, se perguntar o que está provocando isso, o que você pode fazer pra ajudar, como você pretende que ele se sinta no final e ai colocar mãos a obras, se o que você deduziu ser o problema dele estiver errado, mude a hipótese e tente outra solução, e o método prova sua eficiência outra vez.

Você ainda pode ter um receio de usar em situações mais específicas, como para debater com um médico que está diagnosticando o problema de coluna do seu pai, e deixar isso nas mãos dele. Mesmo assim isso não é justificativa pra não entender o que ele está fazendo, principalmente quando vivemos na era da informação e da divulgação científica, onde vários pesquisadores tentam trazer esses assuntos mais complicados e explica-los de forma mais suave para que dúvidas sérias como essa não atormentem mais pessoas leigas (Aliás, quantas pessoas não são prejudicadas por um diagnóstico errado?). Explicações essas elaboradas a partir do método científico provenientes de fontes que não são informações privilegiadas de ninguém, e que existem justamente para fornecer melhor compreensão.

E caso tenha surgido a dúvida: “então tudo que é divulgado, eu tenho que levar com a  suspeita de ser algo maléfico?” e a resposta a isso é não. Sim! Tudo deve ser passivo de um pensamento crítico, mas isso significa que você deve ir atrás da resolução da informação e saber como ela se constrói, e em você levar isso de uma forma coerente, razoável e lógica e não com a pretensão de achar uma teoria da conspiração. Fazendo isso provavelmente terá uma informação muito mais bem embasada.

Alguns ainda podem achar que esse método pode ser manipulável, de má fé (Afinal o que é imune a isso?) e outros podem tê-lo conhecido por representantes de má fé, mas independente dessas variáveis, é satisfatório dizer que ele é, no mínimo, coerente e fazemos uso dele ilimitadamente. Colocar isso em prática conscientemente e escutar aqueles que trabalham junto a isso não é esforço algum. Conhecimento, é a única coisa que será proporcionada, e como o antigo sábio Einstein já disse, “O mundo é do tamanho do nosso conhecimento”.

 

José Rodolfo de Lima e Silva