Paleontologia- Uma viagem ao passado

13082613_946696508782273_497476439415474036_n

Entre os dias 02 e 06 de maio ocorreu o 1º Ciclo de Palestras orquestrado pela equipe Ecoevolucionando. Intitulada como “Paleontologia- Uma viagem ao passado”, o principal objetivo do evento foi arrebatar os estudantes interessados neste campo da biologia expondo as principais áreas e projetos que estão sendo realizados no campo da paleontologia. Abaixo possibilitamos uma breve visão para aqueles que perderam esse fantástico evento:

Dia 02/05: Paleobotânica – Drª. Paula Sucerquia

  • Possui Graduação em Geologia – Universidad EAFIT (2004), Mestrado em Ciências (Área: Paleontologia e Bioestratigrafia) pela Universidade de São Paulo (2007) e Doutorado em Ciências (Área: Geotectônica) pela Universidade de São Paulo (2013). Atua na área de Paleobotânica, principalmente em floras Mesozoicas.
  • Abordou temas relacionados ao estudo da flora fóssil, conceitos e técnicas, principais inferências que podem ser feitas com esses dados.

Dia 03/05: Fosseis de Pernambuco – Drª. Alcina Barreto

  • Graduada em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (1983), realizou o mestrado (1993) e doutorado em Geociências pela Universidade de São Paulo (1997) e pós-doutorado em Geoconservação – Conservação de Patrimônio Geológico (2012) na Universidade do Minho (Portugal). É professora Associada da Universidade Federal de Pernambuco.
  • Contemplou os participantes com belas imagens sobre os achados fosseis de Pernambuco.

Dia 04/05: Paleoecologia – Ana Karoline Barros Silva

  • Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco/Unidade Acadêmica de Serra Talhada – UFRPE/UAST (2011) e mestra em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE (2015).
  • Explanou o tema, elucidando tópicos como “O que é?” “Quais aplicações?” e aplicando casos os tópicos desenvolvidos na palestra.

Dia 05/05: Quando a Antártica era tropical – Evidências baseadas em Paleovertebrados. Drª. Juliana Sayão

  • Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Úrsula (2000), mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007). Atualmente é professora adjunto no Núcleo de Ciências Biológicas do Centro Acadêmico de Vitória (Universidade Federal de Pernambuco).
  • A palestra teve como conteúdo a parte prática do trabalho de um paleontólogo, trazendo relatos da prospecção para Antártica realizada pelo projeto ProAntar, visando coletar evidências fósseis da época em que a Antártica era parte da Gondwana.

Dia 06/05: Micropaleontologia Aplicada – Drª. Enelise Katia Piovesan

  • Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (2005). Mestrado e Doutorado em Geologia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atualmente é Professora Adjunta na Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Paleontologia, especificamente no estudo de ostracodes do Cretáceo, paleoecologia, paleobiogeografia e bioestratigrafia.
  • Trouxe conceitos e técnicas para o estudo dos microfósseis, bem como sua aplicação na indústria e na ciência.

 

Débora Almeida

Poeira contaminada pode afetar milhares de vidas no oceano

Como os climatologistas acompanham de perto o impacto da atividade humana sobre os oceanos do mundo. Os pesquisadores do Georgia Institute of Technology descobriram que há ainda outra tendência preocupante impactando a saúde do Oceano Pacífico.

aohsda

Imagem: Como o ferro é depositado a partir da poluição atmosférica ao longo da costa leste da Ásia – as correntes oceânicas carregam os nutrientes para muito longe.

Crédito: Georgia Institute of Technology

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences, da Geórgia, mostra que, durante décadas, a poluição do ar que deriva do leste asiático se estende ao longo do maior oceano do mundo, sendo impulsionado por uma reação em cadeia que contribuiu para que o nível de oxigênio decaísse, indo há uma milha de distância em milhares de águas tropicais.

“Há uma consciência crescente de que o nível de oxigênio pode estar mudando nos oceanos ao longo do tempo”, disse Taka Ito, professor adjunto da Geórgia Tech. “Uma das razões para isto é o aquecimento global – água morna detém menos gás. Mas no Pacífico Tropical, o nível de oxigênio foi caindo a um ritmo muito mais rápido do que a mudança de temperatura possa explicar. ”

O estudo, que foi publicado em 16 de maio de 2016, Na Nature Geoscience, foi patrocinado pela National Science Foundation, nas faculdades Georgia Power Scholar Chair e Cullen-Peck Fellowship.

No relatório, os pesquisadores descreveram como a poluição do ar, pelas atividades industriais, tinham níveis elevados de ferro e nitrogênio – nutrientes essenciais para a vida marinha – no oceano, ao longo da costa leste da Ásia. As correntes oceânicas, em seguida, levavam os nutrientes para as regiões tropicais, onde eram consumidos pelo fitoplâncton através da fotossíntese.

Mas, enquanto o fitoplâncton tropical poderia ter lançado mais oxigênio para a atmosfera, o consumo de nutrientes em excesso teve um efeito negativo sobre os níveis de oxigênio dissolvido nas profundezas do oceano.

“Se você tem uma atividade fotossintética mais ativa na superfície, ela produzirá mais matéria orgânica do que decairá”, disse Ito. “E como ela decairá, existem bactérias que consumirá a matéria orgânica. Como nós respiramos oxigênio e exalamos CO2, as bactérias consumirão o oxigênio no oceano subaquático e haverá uma tendência a esgotar o oxigênio.”

Esse processo ocorre por todo o Pacífico, porém, os efeitos são mais marcantes em áreas tropicais, onde os níveis de oxigênio dissolvido são menores.

Athanasios Nenes, professor da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences e da School of Chemical and Biomolecular Engineering, da Geórgia Tech, que trabalhou com Ito no estudo, disse que a pesquisa é a primeira a descrever o quão longe o impacto da atividade industrial pode ser.

“A comunidade científica sempre pensou que o impacto da poluição do ar sente-se nas imediações do local onde ele é depositado”, disse Nenes, que também trabalha na faculdade Georgia Power Scholar Chair. “Este estudo mostra que o ferro pode circular através do oceano e afetar ecossistemas há milhares de quilômetros de distância.”

Embora as evidências de que as mudanças climáticas possam ter um impacto nos níveis futuros de oxigênio tenham sido crescentes, Ito e Nenes, foram induzidos a procurar uma explicação sobre o porquê de os níveis de oxigênio nos trópicos terem vindo a diminuir desde os anos de 1970.

Para entender como o processo funcionava, os pesquisadores desenvolveram um modelo que combina a química da atmosfera, ciclos biogeoquímicos, com a circulação oceânica. Tal modelo mapeia como a poluição de uma poeira rica em ferro se instala sobre o Pacífico Norte, e acaba sendo transportada pelas correntezas oceânicas do Leste, para a América do Norte, ao longo da costa e depois de volta para o Oeste indo até o Equador.

Em seu modelo, os pesquisadores explicaram outros fatores que também podem afetar os níveis de oxigênio, como a temperatura da água e a variabilidade das correntes oceânicas.

Seja devido ao aquecimento das águas do mar ou ao aumento da poluição do ferro, as implicações das crescentes zonas mínimas de oxigênio na vida marinha são de longo alcance. “Muitos organismos vivos, dependem do oxigênio que é dissolvido na água do mar”, disse Ito. “Então, se ele ficar baixo o suficiente, poderá causar problemas, que ocasionará mudanças no habitat de organismos marinhos.”

Ocasionalmente, as águas das zonas mais baixas de oxigênio, movem-se até as águas costeiras, matando ou deslocando populações de peixes, caranguejos e vários outros organismos. Esses “eventos hipóxicos” podem se tornar mais frequentes a medida que as áreas de oxigênio mínimo começarem a crescer, disse Ito.

A crescente atividade do fitoplâncton é uma espada de dois gumes, disse Ito. “O fitoplâncton é uma parte essencial da vida marinha”, disse ele. “Ele serve como uma base da cadeia alimentar e absorve o dióxido de carbono atmosférico. Entretanto, se a poluição continuar a oferecer os nutrientes em excesso, o processo de decomposição esgotará o oxigênio das águas profundas, sendo este oxigênio de difícil substituição.”

O estudo também expande a compreensão da poeira como poluente, disse Nenes.  “A poeira sempre atraiu um grande interesse devido ao seu impacto sobre a saúde das pessoas”, disse Nenes. “Este é realmente o primeiro estudo que mostra que a poeira pode ter um enorme impacto sobre os oceanos, de maneira que nunca entendi antes. Ele só aumenta a necessidade de entender o que estamos fazendo para os ecossistemas marinhos, que são consumidos por populações de todo o mundo.”

Fonte: Georgia Institute of Technology. “Polluted dust can impact ocean life thousands of miles away.” ScienceDaily.Disponível em: <www.sciencedaily.com/releases/2016/05/160516115306.htm>.

 

Milena Xavier

Nossas decisões são tomadas conscientemente?

Alguns ramos da psicologia utilizam experimentos para observar como as pessoas interpretam e reagem a diversos tipos de estímulos. Desta forma, os observadores podem registrar o comportamento humano e formular explicações plausíveis sobre suas origens em nossas mentes. Estes procedimentos são bastante úteis para testarmos a aplicação de conceitos teóricos em situações práticas, para que assim possamos compreender se determinada teoria é suficientemente adequada para explicar determinado comportamento.

Como exemplo, utilizaremos o conceito de inconsciente. Este termo é utilizado no cotidiano para representar situações em que nós não sabemos o porquê de termos feito, dito ou sentido algo (também podemos usar para nos referirmos a alguém que não está acordado, mas não é esse o ponto aqui). No sentido definido pela corrente psicanalítica da psicologia, o inconsciente se refere à uma instância da mente (uma espécie de setor) que não podemos acessar utilizando a nossa atenção consciente e não sabemos exatamente o que tem lá. Este setor inconsciente supostamente guarda memórias de traumas que vivemos ao longo de nossas vidas, mas que nem sabemos que temos. Nós não sabemos os conteúdos dessas lembranças, mas elas influenciam nossas atitudes e a forma como reagimos emocionalmente. Segundo a teoria, seria possível conseguir acesso ao conteúdo do inconsciente por meio da análise terapêutica, para que assim o paciente tenha mais controle sobre as influências de suas memórias traumáticas e saiba lidar com isso.

Durante muito tempo a psicanálise foi combatida por teorizar sobre um setor da mente que não sabemos onde fica e não sabemos o que tem dentro. Mas atualmente a ciência dispõe de novos recursos para investigar o que se passa nas nossas cabeças (como máquinas de ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrons), e daí vem a neurociência para nos ajudar a compreender esse problema do inconsciente. Será que ele realmente existe?

Como o autor e pesquisador Leonard Mlodinow explica em seu livro “Subliminar – como o inconsciente influencia nossas vidas”, todos os seres humanos são influenciados por estímulos que muitas vezes nem percebem, além de agirem, falarem e reagirem de formas que não são perfeitamente planejadas como muitos imaginam que sejam. Isso favorece a ideia de que nossas motivações não são totalmente racionais (algumas delas não são mais racionais que as de um ornitorrinco). Para ilustrar esse pensamento, tomemos como exemplo este estudo publicado na revista Science: 120 participantes receberam a tarefa de julgar a beleza de mulheres por meio de fotos. Cada participante precisou escolher uma dentre duas opções de fotografias de acordo com suas preferências estéticas. Foram mostrados 12 pares de fotos (totalizando 24), de modo que no final do experimento cada participante havia escolhido 12 mulheres. Após isso, o experimentador entregava ao participante a foto de uma das mulheres escolhidas e pedia para que o mesmo explicasse o porquê da sua escolha. Mas acontece que em alguns casos o experimentador entregava fotos das mulheres que não foram escolhidas pelos participantes, e 75% deles não perceberam isso. Isso rendeu explicações como “Ela é radiante” ou “Acho que ela parece mais simpática que a outra”, mesmo quando se referiam às fotos rejeitadas. Outros modelos deste experimento foram feitos utilizando escolhas de sabor de geleia (66% das pessoas não perceberam a troca), e de chás, como também foi citado por Mlodinow em seu livro.

O que podemos concluir dessas pesquisas é que as pessoas nem sempre tem consciência dos motivos que as levam a tomarem decisões e, portanto, devem existir outros fatores envolvidos em nossos processos mentais de tomada de decisão. Se você está pensando que isso afeta apenas coisas insignificantes como o nosso gosto para geleia, saiba que esse fenômeno se estende inclusive para o campo político. Em um estudo realizado pela universidade de Princeton e  citado no livro “Subliminar”, os cientistas pediram para que os voluntários avaliassem a competência de candidatos reais nas eleições governamentais e do senado nos Estados unidos com base em sua aparência. 72% dos candidatos avaliados como “competentes” por sua aparência no estudo acabaram vencendo as eleições para o Senado, enquanto que 69% venceram as eleições governamentais. Este e outros estudos demonstram como as nossas decisões podem ser influenciadas por informações que nem sabemos que estão sendo processadas pelo nosso cérebro. Neste caso, uma variável que não está ligada de fato à capacidade de exercer cargos políticos foi suficiente para prever com certo nível de precisão os resultados das eleições.

A concepção do inconsciente como um “universo obscuro e cheio de simbolismos” pode, aos poucos, ser substituída por explicações de origem evolutiva. Desta forma, ao invés de interpretar o inconsciente como uma espécie de entidade, podemos vê-lo como um mecanismo cerebral que foi herdado de nossos ancestrais hominídeos por ter demonstrado ser uma ferramenta útil para sua transmissão de genes e sua sobrevivência. Existe utilidade na capacidade do nosso cérebro processar informações sem que saibamos disso conscientemente, pois desta forma poderemos nos concentrar em outros estímulos mais relevantes. O mundo oferece uma quantidade de dados infinitamente maior do que podemos processar, e um cérebro que desse conta de todos esses estímulos seria inviável evolutivamente. Nós não somos uma exceção, e mesmo a nossa porção inconsciente não é capaz de captar todas as informações disponíveis no ambiente. Porém é extremamente útil possuir um mecanismo que gerencie os dados de uma forma que não ocupe a atenção consciente, pois sem isso nossos antepassados sequer conseguiriam fugir de um predador sem antes passar horas processando dados sobre sua aparência, cheiro ou sons que produz. Além disso, precisariam comer dezenas de quilos de comida para suprir a demanda energética desse super cérebro. Desta forma, não fomos moldados pela seleção natural para calcularmos deliberadamente os motivos e consequências de todas as nossas decisões e comportamentos. E isso é uma grande habilidade.