Poeira contaminada pode afetar milhares de vidas no oceano

Como os climatologistas acompanham de perto o impacto da atividade humana sobre os oceanos do mundo. Os pesquisadores do Georgia Institute of Technology descobriram que há ainda outra tendência preocupante impactando a saúde do Oceano Pacífico.

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Imagem: Como o ferro é depositado a partir da poluição atmosférica ao longo da costa leste da Ásia – as correntes oceânicas carregam os nutrientes para muito longe.

Crédito: Georgia Institute of Technology

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences, da Geórgia, mostra que, durante décadas, a poluição do ar que deriva do leste asiático se estende ao longo do maior oceano do mundo, sendo impulsionado por uma reação em cadeia que contribuiu para que o nível de oxigênio decaísse, indo há uma milha de distância em milhares de águas tropicais.

“Há uma consciência crescente de que o nível de oxigênio pode estar mudando nos oceanos ao longo do tempo”, disse Taka Ito, professor adjunto da Geórgia Tech. “Uma das razões para isto é o aquecimento global – água morna detém menos gás. Mas no Pacífico Tropical, o nível de oxigênio foi caindo a um ritmo muito mais rápido do que a mudança de temperatura possa explicar. ”

O estudo, que foi publicado em 16 de maio de 2016, Na Nature Geoscience, foi patrocinado pela National Science Foundation, nas faculdades Georgia Power Scholar Chair e Cullen-Peck Fellowship.

No relatório, os pesquisadores descreveram como a poluição do ar, pelas atividades industriais, tinham níveis elevados de ferro e nitrogênio – nutrientes essenciais para a vida marinha – no oceano, ao longo da costa leste da Ásia. As correntes oceânicas, em seguida, levavam os nutrientes para as regiões tropicais, onde eram consumidos pelo fitoplâncton através da fotossíntese.

Mas, enquanto o fitoplâncton tropical poderia ter lançado mais oxigênio para a atmosfera, o consumo de nutrientes em excesso teve um efeito negativo sobre os níveis de oxigênio dissolvido nas profundezas do oceano.

“Se você tem uma atividade fotossintética mais ativa na superfície, ela produzirá mais matéria orgânica do que decairá”, disse Ito. “E como ela decairá, existem bactérias que consumirá a matéria orgânica. Como nós respiramos oxigênio e exalamos CO2, as bactérias consumirão o oxigênio no oceano subaquático e haverá uma tendência a esgotar o oxigênio.”

Esse processo ocorre por todo o Pacífico, porém, os efeitos são mais marcantes em áreas tropicais, onde os níveis de oxigênio dissolvido são menores.

Athanasios Nenes, professor da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences e da School of Chemical and Biomolecular Engineering, da Geórgia Tech, que trabalhou com Ito no estudo, disse que a pesquisa é a primeira a descrever o quão longe o impacto da atividade industrial pode ser.

“A comunidade científica sempre pensou que o impacto da poluição do ar sente-se nas imediações do local onde ele é depositado”, disse Nenes, que também trabalha na faculdade Georgia Power Scholar Chair. “Este estudo mostra que o ferro pode circular através do oceano e afetar ecossistemas há milhares de quilômetros de distância.”

Embora as evidências de que as mudanças climáticas possam ter um impacto nos níveis futuros de oxigênio tenham sido crescentes, Ito e Nenes, foram induzidos a procurar uma explicação sobre o porquê de os níveis de oxigênio nos trópicos terem vindo a diminuir desde os anos de 1970.

Para entender como o processo funcionava, os pesquisadores desenvolveram um modelo que combina a química da atmosfera, ciclos biogeoquímicos, com a circulação oceânica. Tal modelo mapeia como a poluição de uma poeira rica em ferro se instala sobre o Pacífico Norte, e acaba sendo transportada pelas correntezas oceânicas do Leste, para a América do Norte, ao longo da costa e depois de volta para o Oeste indo até o Equador.

Em seu modelo, os pesquisadores explicaram outros fatores que também podem afetar os níveis de oxigênio, como a temperatura da água e a variabilidade das correntes oceânicas.

Seja devido ao aquecimento das águas do mar ou ao aumento da poluição do ferro, as implicações das crescentes zonas mínimas de oxigênio na vida marinha são de longo alcance. “Muitos organismos vivos, dependem do oxigênio que é dissolvido na água do mar”, disse Ito. “Então, se ele ficar baixo o suficiente, poderá causar problemas, que ocasionará mudanças no habitat de organismos marinhos.”

Ocasionalmente, as águas das zonas mais baixas de oxigênio, movem-se até as águas costeiras, matando ou deslocando populações de peixes, caranguejos e vários outros organismos. Esses “eventos hipóxicos” podem se tornar mais frequentes a medida que as áreas de oxigênio mínimo começarem a crescer, disse Ito.

A crescente atividade do fitoplâncton é uma espada de dois gumes, disse Ito. “O fitoplâncton é uma parte essencial da vida marinha”, disse ele. “Ele serve como uma base da cadeia alimentar e absorve o dióxido de carbono atmosférico. Entretanto, se a poluição continuar a oferecer os nutrientes em excesso, o processo de decomposição esgotará o oxigênio das águas profundas, sendo este oxigênio de difícil substituição.”

O estudo também expande a compreensão da poeira como poluente, disse Nenes.  “A poeira sempre atraiu um grande interesse devido ao seu impacto sobre a saúde das pessoas”, disse Nenes. “Este é realmente o primeiro estudo que mostra que a poeira pode ter um enorme impacto sobre os oceanos, de maneira que nunca entendi antes. Ele só aumenta a necessidade de entender o que estamos fazendo para os ecossistemas marinhos, que são consumidos por populações de todo o mundo.”

Fonte: Georgia Institute of Technology. “Polluted dust can impact ocean life thousands of miles away.” ScienceDaily.Disponível em: <www.sciencedaily.com/releases/2016/05/160516115306.htm>.

 

Milena Xavier

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