Música melhora humor

Imagine estar ao lado de uma cachoeira, deitado sob as rochas, com os olhos fechados, sentindo o frescor do vento e ouvindo o som da cascata. Que sensação isso lhe causa? A música não só nutri a alma, é uma terapia confirmada. Vários estudiosos de música, terapeutas e pesquisadores têm validado os efeitos benéficos da música no combate a dor e ansiedade, na melhora do humor, no estimulo para o exercício físico e na sensação de felicidade.

Isso acontece porque a música possui grande influencia neuropsicológica, com fácil acesso à afetividade, comando de impulsos, emoções e estímulos. Quando chegam aos ouvidos, os sons são transformados em impulsos que se movem até o tálamo, local do cérebro considerado central para as emoções. Os impulsos cerebrais causados pela música afetam o corpo todo e podem ser detectados por técnicas de escaneamento cerebral (GASPARINI, 2003).

Uma pesquisa publicada pela Universidade da Califórnia constatou que pessoas que romperam o namoro ou estão passando por situações difíceis consumem mais músicas tristes, pois auxilia na superação da fase ruim. A escolha por determinados estilos musicais entra em harmonia com o estado de humor, isso é atestado na pesquisa realizada com 167 pessoas pela Universidade de Missouri. Esse estudo foi feito com dois tipos de músicas diferentes, uma mais alegre e outra mais sombria, e constatou que uma música otimista pode impulsionar o estado de espírito. No decorrer de duas semanas, quem escutou a música mais alegre sentiu sensação de felicidade e quem ouviu a mais sombria não teve sentimento de satisfação.

Vale lembrar que “O efeito da música no cérebro ou corpo depende, em partes, de seu gênero”, disse o professor de psicologia da ReyersonUniversity, Frank A. Russo, ao Yahoo Health, depende do quanto se gosta ou não dela. “Uma pessoa que é fã de metal provavelmente será capaz de ver uma série de emoções em uma música que os outros acham agressiva”, conta.

A música atinge o centro de prazer do cérebro, libera dopamina e provoca uma sensação de bem estar. Por isso está sendo comumente usada por médicos e terapeutas como tratamento de diversos problemas, onde os próprios pacientes tocam os instrumentos musicais, auxiliados pelos profissionais. A musicoterapia melhora a qualidade de vida e atinge de crianças a adultos, proporcionando a reabilitação física, mental e social de pessoas de todas as idades. A música é capaz de mudar a sua percepção de vida. Aperte o play.

Referências:

GASPARINI, G. Musicoterapia usa identidade musical para ativar cérebro. Equilíbrio e saúde, 2003.

Portal G1. Música acalma, estimula a memória e alivia dores. Disponível em: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/06/musica-acalma-ajuda-na-atividade-fisica-e-tambem-pode-aliviar-dores.html . Acesso em: junho de 2013.

Portal Yahoo Health. O que acontece com seu cérebro quando você escuta música. Disponível em: https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-que-acontece-com-o-190005481.html  . Acesso em: novembro de 2015.

Portal Mente Cérebro. Música animada ajuda a melhorar humor. Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/musica_animada_ajuda_a_melhorar_o_humor.html>. Acesso em: junho de 2013.

O corpo “fala”

Existe uma grande variedade de livros sobre linguagem corporal disponível no mercado. Estes livros prometem ensinar o leitor a identificar traços de personalidade das pessoas com base em observações dos gestos que elas fazem e também com base no formato de certas partes do corpo. Estes livros também apresentam formas de identificar mentiras e desmascará-las por meio de observação da linguagem corporal e das expressões faciais. Muitas pessoas que estudam temas deste campo também alegam poder perceber aspectos ainda mais íntimos sobre as pessoas que observam, como conflitos emocionais e problemas familiares ou existenciais. Por exemplo, neste link você pode aprender o que o formato dos seus glúteos tem a dizer sobre a sua capacidade de tomar decisões sozinho(a) e de “não depender de ninguém”, por exemplo; Ou ainda como a celulite resulta do acúmulo de emoções como raiva e autopunição.

Após acessar esse link, tente encontrar artigos científicos demonstrando que esse conteúdo faz sentido. Não há evidência entre a comunidade científica de que a “leitura” do corpo funcione desta forma. No livro “A linguagem secreta do corpo”, de Anna Guglielmi, encontra-se outro exemplo (dentre vários no livro) de suposição baseada na aparência de partes do corpo que não possui fundamentação científica: “Barba e bigode espessos indicam que a pessoa é mais inclinada à atividade física; que é robusta, prática e pouco interessada na atividade mental”. Talvez o bigode de Friedrich Nietzsche seja um bom exemplo contrário (principalmente sobre a parte de interesse na atividade mental) que sirva para ilustrar que esta forma de análise de personalidade tem algo de incorreto.

É preciso ler com cautela e questionar a veracidade do que está escrito. Se você prestar atenção, verá que estas análises corporais apenas parecem fazer sentido, pois existe uma grande quantidade de exceções. Em outros casos, as afirmações são tão vagas e generalizadas que qualquer pessoa poderia achar que fazem sentido. Por exemplo: “Pessoas do Signo de Leão são egocêntricas”. Obviamente existem pessoas egocêntricas com todo tipo de signo, mas as pessoas perpetuam esse conhecimento de que os signos apresentam características específicas de personalidade. O que leva ao erro de interpretação do comportamento humano.

Voltando à linguagem corporal, será que tudo que se refere a este tema é fruto da imaginação e não tem absolutamente nada de útil? Não é bem assim. De fato, existe uma análise científica da linguagem corporal que obteve resultados satisfatórios (o suficiente para serem utilizados por agências policiais como o FBI em interrogatórios) no campo da inferência sobre estados emocionais. Porém o embasamento teórico se estrutura principalmente em fisiologia humana, o que é uma base das quais as fontes acima citadas carecem. Uma forma eficiente de analisar a linguagem corporal humana é observando sinais fisiológicos de emoções. Como por exemplo, ao sentirmos medo, no nosso corpo ocorrerá uma secreção de hormônios glicocorticóides, como a noradrenalina e cortisol. Estas substâncias irão causar alterações em diversos sistemas, como aumentar nossa frequência cardio-respiratória, dilatar nossas pupilas, constringir nossos vasos sanguíneos periféricos, dilatar nossas artérias situadas nos grandes músculos como os das coxas, além de dificultar a atividade da fala e do raciocínio. Estas modificações fisiológicas foram selecionadas evolutivamente e estão presentes em todos os grupos humanos. É por isso que o medo é uma das emoções classificadas como universais, o que significa que todos os humanos possuem a capacidade de sentir medo codificada em seus genes (desconsiderando mutações e outras síndromes que causem alteração cromossômica, é claro, além de casos extremos como a psicopatia. Mas isso é assunto para um outro texto). Desta forma, é útil recorrer ao conhecimento da fisiologia para reconhecer os efeitos dos estados emocionais, porque desta forma podemos tirar conclusões mais confiáveis. A constrição dos vasos periféricos poderá causar um tremor nas mãos e pés, ou ainda uma palidez no rosto. A alteração cardiorrespiratoria mudará a movimentação da caixa torácica, e além disso também poderá ocorrer sudorese (que também é um efeito causado pelos hormônios glicocorticoides). Estes e outros sinais poderão ser usados para chegar à conclusão de que alguém está sentindo medo. Se você quer aprender melhor a como reconhecer emoções nas outras pessoas, leia o livro “A linguagem das emoções”, escrito pelo psicólogo e pesquisador Paul Ekman.

E para ilustrar a eficiência da abordagem científica na leitura de linguagem corporal, aqui está um artigo que mostra uma análise feita com um réu acusado de homicídio depondo no tribunal. No experimento, foram identificados sinais de mentira no depoimento, e estes sinais são discutidos no artigo.

A um aluno

Dedico esse texto a todos os universitários.

“Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então” (Alice no país das maravilhas,  Lewis Carroll).

Você se esforçou, virou madrugadas, recusou convites de amigos, esqueceu as redes sociais. Mas afinal o que é ser social, quando é ano de vestibular? O que existe é a briga pelo livro de física, química que os professores do cursinho têm para emprestar. Você briga com “unhas e dentes” por eles. Acorda cedo. Dorme tarde. Não existe domingo; nem cinema; nem descanso, porque em algum lugar tem um concorrente que está estudando mais. Precisa estudar mais. Antes não gostava de café, nem de Red Bull, mas agora são essenciais. Enfrentou o ENEM, o vestibular seriado, SISU, cogitou FIES. Nada importa. Preciso passar. TENHO que passar. E você passou. Fica com o sorriso de orelha à orelha, é o orgulho da família. E nesse momento, o céu se abriu e veio uma voz: “Parabéns meu filho, agora tu és um UNIVERSITÁRIO”.

Não dormiu bem na noite passada. Quem conseguiria dormir? Hoje é o primeiro dia de aula. Tudo é novidade. Quem é minha turma? Qual a minha sala? Depois vem a primeira semana de provas, primeira festa, primeira ressaca, primeiro estágio, primeiro seminário. Fica mais horas no campus do que em casa. Esses milhares de quilômetros quadrados, tornara-se seu lar. São tantas coisas para fazer, que não sabe por onde começar. Todos a sua volta só falam sobre a carreira que devia ser só sua. Tem aquele parente, que sempre pergunta quando terminará esse bendito curso. Seus amigos te chamam de desaparecido. Seu pai pergunta qual o salário médio da profissão. Sua mãe com medo do desemprego. O namorado cobrando atenção. O orientador perguntando o tema do TCC. Eu sei, é difícil.

Por isso, peço que tenha um pouco de calma. Inspire, expire, inspire…Estou do seu lado. Te entendo. Em nome disso, proponho encontros periódicos aqui mesmo para conversamos. Os temas, serão do nosso cotidiano. Trocaremos experiências, falaremos das alegrias e tristezas; caídas e vitórias. Eu sou como você. Sou um universitário, somos iguais, compartilhamos os mesmos dramas. Dedico a vocês cada palavra, parágrafo, até as normas da ABNT. Faço isso para que vejam que não estão sozinhos e que não são os únicos a vivenciarem determinada situação. Dedico cada palavra, parágrafo e normas da ABNT a vocês. Por que? Porque nós nos entendemos, somos “farinha do mesmo saco”…porque somos alunos, somos universitários.

Nicole Brito

Por que sentimos raiva?

Vamos discutir sobre a expressão agressiva da raiva. Todos nós já experimentamos esta emoção intensamente em algum momento. Os batimentos cardíacos aumentam, as pupilas dilatam, a temperatura corporal aumenta, ficamos ofegantes, nossos músculos esqueléticos ficam tensos e assumimos uma postura que indica que se aproximar não é uma boa ideia. Não conseguimos pensar direito e muitas vezes acabamos agindo antes de avaliar as consequências dos nossos atos, machucando outras pessoas física ou emocionalmente (ou até a nós mesmos). Ações motivadas pelo sentimento de raiva são descritas há séculos em diversas culturas, e se você está se perguntando se a raiva é um fenômeno global, o psicólogo e pesquisador Paul Ekman responde que sim. Como é possível saber disso? Por acaso ele visitou todas as culturas do mundo para procurar alguma sociedade em que as pessoas não sintam raiva? Quase. Ekman, como uma série de outros pesquisadores, procurou visitar países em todos os continentes para recolher informações sobre as emoções humanas, desde os Estados Unidos e Japão, países com grande desenvolvimento tecnológico de meios de comunicação, até Papua Nova Guiné, um país em que alguns nativos não possuem meios como internet, televisão ou até mesmo telefone. Alguns deles nunca tinham visto câmeras de filmagem [1].

Esta e outras pesquisas levaram os cientistas a corroborar a ideia de que a raiva (entre outras emoções) é um sentimento presente em toda a espécie humana, e que foi herdada de nossos ancestrais hominídeos por ter sido uma ferramenta útil para a sua sobrevivência e consequente reprodução. Ser agressivo provavelmente trouxe alguns benefícios para nossos ancestrais, como conseguir alimento, vencer predadores em combates, conquistar posições de alto status em seus grupos e até a conseguir parceiros para se relacionar [2]. Pense um pouco. Os indivíduos que fugiram de predadores puderam sobreviver e se reproduzir, mas também puderam aqueles que lutaram e mataram a ameaça. Obviamente lutar é uma estratégia mais perigosa do que simplesmente fugir, porém nós herdamos a capacidade de agir das duas formas. Possuímos a habilidade de correr ou de gritar, xingar, esmurrar, chutar e morder se nosso cérebro achar que é necessário. A agressividade está em nosso código genético, que por sua vez é o responsável por todo o aparato anatômico e fisiológico que está envolvido nas reações de raiva e violência.

Então isso quer dizer que estamos predestinados a sermos violentos? Não. Visite um templo budista, acho que não verá muitos homicídios acontecendo. Ou então olhe à sua volta. Não estamos sempre em embates ferozes contra as pessoas com quem convivemos, e podemos criar relações cordiais e confiáveis com nossos semelhantes. Isso demonstra que a agressividade não é apenas determinada geneticamente, e que existem outros fatores ambientais que influenciam seu desenvolvimento.

Um desses fatores é uma espécie de influência social. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná mostra um exemplo de como a agressividade pode ser estimulada por influência de fontes externas como filmes, por exemplo. Foi observado como um filme violento (contendo cenas de abuso físico e psicológico) causou um aumento considerável no comportamento agressivo dos adolescentes participantes do experimento. Este aumento foi percebido por meio da observação dos adolescentes jogando futebol entre si. O grupo de colaboradores que assistiram ao filme violento foi mais agressivo do que o grupo que assistiu um filme não violento. Também foram mais agressivos que o grupo que não assistiu filme algum (grupo controle). [3]

Mas calma, não podemos concluir que assistir filmes do tipo “Duro de matar” vai nos transformar em atiradores violentos. Obviamente precisamos pensar em outras variáveis que favorecem o surgimento da raiva e sua expressão agressiva. Como mostra este artigo publicado na revista eletrônica Cesumar , a violência pode ter sido recompensada desde muito cedo para algumas pessoas, e por isso se perpetuou durante todas as suas vidas. Por exemplo, se uma criança conseguir um brinquedo ao gritar e xingar os pais, este comportamento será reforçado. Se ela conseguir um chocolate ao ameaçar quebrar algo de valor, este comportamento será reforçado. Se ela conseguir qualquer tipo de privilégio ou algo que goste por meio de gritos, ameaças, xingamentos, palavrões e agressões físicas, isso se tornará um hábito para ela, afinal assim ela conseguirá o que quer. Isso pode se tornar um problema grave, pois imagine o que aconteceria se uma criança com certa predisposição genética a agressividade tivesse pais permissivos.

Este ponto é bastante complexo, pois ao mesmo tempo que pais passivos demais podem criar filhos extremamente agressivos, o mesmo pode ocorrer com pais muito rígidos e/ou violentos. Isso quer dizer que a raiva pode ser uma forma de reação para se defender da violência vinda dos familiares, e também pode ser compensadora para a criança quando afasta as pessoas que a agridem. E se algum comportamento é compensador, tende a durar. Se você quer entender mais profundamente como esse mecanismo de reação por meio da raiva funciona, o teórico e pesquisador B.F. Skinner explica isso em seu livro “Ciência e comportamento humano”.

Por fim, pense no quanto é importante que busquemos compreender que fatores permeiam esse grande problema social da violência. Este é um passo necessário para um melhor planejamento de mudanças políticas que de fato reduzam os índices de agressão em nossa sociedade, e possivelmente em todo o mundo. Imagine quantos crimes podem ser evitados, quantas famílias poderiam se sentir seguras nos lugares onde vivem, e no quanto a nossa civilização pode evoluir ao solucionar este enorme problema da agressividade. Isso não quer dizer que não vamos mais sentir raiva, mas que pelo menos podemos aprender a conviver com esta ferramenta herdada de nossos ancestrais.

Poeira contaminada pode afetar milhares de vidas no oceano

Como os climatologistas acompanham de perto o impacto da atividade humana sobre os oceanos do mundo. Os pesquisadores do Georgia Institute of Technology descobriram que há ainda outra tendência preocupante impactando a saúde do Oceano Pacífico.

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Imagem: Como o ferro é depositado a partir da poluição atmosférica ao longo da costa leste da Ásia – as correntes oceânicas carregam os nutrientes para muito longe.

Crédito: Georgia Institute of Technology

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences, da Geórgia, mostra que, durante décadas, a poluição do ar que deriva do leste asiático se estende ao longo do maior oceano do mundo, sendo impulsionado por uma reação em cadeia que contribuiu para que o nível de oxigênio decaísse, indo há uma milha de distância em milhares de águas tropicais.

“Há uma consciência crescente de que o nível de oxigênio pode estar mudando nos oceanos ao longo do tempo”, disse Taka Ito, professor adjunto da Geórgia Tech. “Uma das razões para isto é o aquecimento global – água morna detém menos gás. Mas no Pacífico Tropical, o nível de oxigênio foi caindo a um ritmo muito mais rápido do que a mudança de temperatura possa explicar. ”

O estudo, que foi publicado em 16 de maio de 2016, Na Nature Geoscience, foi patrocinado pela National Science Foundation, nas faculdades Georgia Power Scholar Chair e Cullen-Peck Fellowship.

No relatório, os pesquisadores descreveram como a poluição do ar, pelas atividades industriais, tinham níveis elevados de ferro e nitrogênio – nutrientes essenciais para a vida marinha – no oceano, ao longo da costa leste da Ásia. As correntes oceânicas, em seguida, levavam os nutrientes para as regiões tropicais, onde eram consumidos pelo fitoplâncton através da fotossíntese.

Mas, enquanto o fitoplâncton tropical poderia ter lançado mais oxigênio para a atmosfera, o consumo de nutrientes em excesso teve um efeito negativo sobre os níveis de oxigênio dissolvido nas profundezas do oceano.

“Se você tem uma atividade fotossintética mais ativa na superfície, ela produzirá mais matéria orgânica do que decairá”, disse Ito. “E como ela decairá, existem bactérias que consumirá a matéria orgânica. Como nós respiramos oxigênio e exalamos CO2, as bactérias consumirão o oxigênio no oceano subaquático e haverá uma tendência a esgotar o oxigênio.”

Esse processo ocorre por todo o Pacífico, porém, os efeitos são mais marcantes em áreas tropicais, onde os níveis de oxigênio dissolvido são menores.

Athanasios Nenes, professor da Tech’s School of Earth and Atmospheric Sciences e da School of Chemical and Biomolecular Engineering, da Geórgia Tech, que trabalhou com Ito no estudo, disse que a pesquisa é a primeira a descrever o quão longe o impacto da atividade industrial pode ser.

“A comunidade científica sempre pensou que o impacto da poluição do ar sente-se nas imediações do local onde ele é depositado”, disse Nenes, que também trabalha na faculdade Georgia Power Scholar Chair. “Este estudo mostra que o ferro pode circular através do oceano e afetar ecossistemas há milhares de quilômetros de distância.”

Embora as evidências de que as mudanças climáticas possam ter um impacto nos níveis futuros de oxigênio tenham sido crescentes, Ito e Nenes, foram induzidos a procurar uma explicação sobre o porquê de os níveis de oxigênio nos trópicos terem vindo a diminuir desde os anos de 1970.

Para entender como o processo funcionava, os pesquisadores desenvolveram um modelo que combina a química da atmosfera, ciclos biogeoquímicos, com a circulação oceânica. Tal modelo mapeia como a poluição de uma poeira rica em ferro se instala sobre o Pacífico Norte, e acaba sendo transportada pelas correntezas oceânicas do Leste, para a América do Norte, ao longo da costa e depois de volta para o Oeste indo até o Equador.

Em seu modelo, os pesquisadores explicaram outros fatores que também podem afetar os níveis de oxigênio, como a temperatura da água e a variabilidade das correntes oceânicas.

Seja devido ao aquecimento das águas do mar ou ao aumento da poluição do ferro, as implicações das crescentes zonas mínimas de oxigênio na vida marinha são de longo alcance. “Muitos organismos vivos, dependem do oxigênio que é dissolvido na água do mar”, disse Ito. “Então, se ele ficar baixo o suficiente, poderá causar problemas, que ocasionará mudanças no habitat de organismos marinhos.”

Ocasionalmente, as águas das zonas mais baixas de oxigênio, movem-se até as águas costeiras, matando ou deslocando populações de peixes, caranguejos e vários outros organismos. Esses “eventos hipóxicos” podem se tornar mais frequentes a medida que as áreas de oxigênio mínimo começarem a crescer, disse Ito.

A crescente atividade do fitoplâncton é uma espada de dois gumes, disse Ito. “O fitoplâncton é uma parte essencial da vida marinha”, disse ele. “Ele serve como uma base da cadeia alimentar e absorve o dióxido de carbono atmosférico. Entretanto, se a poluição continuar a oferecer os nutrientes em excesso, o processo de decomposição esgotará o oxigênio das águas profundas, sendo este oxigênio de difícil substituição.”

O estudo também expande a compreensão da poeira como poluente, disse Nenes.  “A poeira sempre atraiu um grande interesse devido ao seu impacto sobre a saúde das pessoas”, disse Nenes. “Este é realmente o primeiro estudo que mostra que a poeira pode ter um enorme impacto sobre os oceanos, de maneira que nunca entendi antes. Ele só aumenta a necessidade de entender o que estamos fazendo para os ecossistemas marinhos, que são consumidos por populações de todo o mundo.”

Fonte: Georgia Institute of Technology. “Polluted dust can impact ocean life thousands of miles away.” ScienceDaily.Disponível em: <www.sciencedaily.com/releases/2016/05/160516115306.htm>.

 

Milena Xavier

Nossas decisões são tomadas conscientemente?

Alguns ramos da psicologia utilizam experimentos para observar como as pessoas interpretam e reagem a diversos tipos de estímulos. Desta forma, os observadores podem registrar o comportamento humano e formular explicações plausíveis sobre suas origens em nossas mentes. Estes procedimentos são bastante úteis para testarmos a aplicação de conceitos teóricos em situações práticas, para que assim possamos compreender se determinada teoria é suficientemente adequada para explicar determinado comportamento.

Como exemplo, utilizaremos o conceito de inconsciente. Este termo é utilizado no cotidiano para representar situações em que nós não sabemos o porquê de termos feito, dito ou sentido algo (também podemos usar para nos referirmos a alguém que não está acordado, mas não é esse o ponto aqui). No sentido definido pela corrente psicanalítica da psicologia, o inconsciente se refere à uma instância da mente (uma espécie de setor) que não podemos acessar utilizando a nossa atenção consciente e não sabemos exatamente o que tem lá. Este setor inconsciente supostamente guarda memórias de traumas que vivemos ao longo de nossas vidas, mas que nem sabemos que temos. Nós não sabemos os conteúdos dessas lembranças, mas elas influenciam nossas atitudes e a forma como reagimos emocionalmente. Segundo a teoria, seria possível conseguir acesso ao conteúdo do inconsciente por meio da análise terapêutica, para que assim o paciente tenha mais controle sobre as influências de suas memórias traumáticas e saiba lidar com isso.

Durante muito tempo a psicanálise foi combatida por teorizar sobre um setor da mente que não sabemos onde fica e não sabemos o que tem dentro. Mas atualmente a ciência dispõe de novos recursos para investigar o que se passa nas nossas cabeças (como máquinas de ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrons), e daí vem a neurociência para nos ajudar a compreender esse problema do inconsciente. Será que ele realmente existe?

Como o autor e pesquisador Leonard Mlodinow explica em seu livro “Subliminar – como o inconsciente influencia nossas vidas”, todos os seres humanos são influenciados por estímulos que muitas vezes nem percebem, além de agirem, falarem e reagirem de formas que não são perfeitamente planejadas como muitos imaginam que sejam. Isso favorece a ideia de que nossas motivações não são totalmente racionais (algumas delas não são mais racionais que as de um ornitorrinco). Para ilustrar esse pensamento, tomemos como exemplo este estudo publicado na revista Science: 120 participantes receberam a tarefa de julgar a beleza de mulheres por meio de fotos. Cada participante precisou escolher uma dentre duas opções de fotografias de acordo com suas preferências estéticas. Foram mostrados 12 pares de fotos (totalizando 24), de modo que no final do experimento cada participante havia escolhido 12 mulheres. Após isso, o experimentador entregava ao participante a foto de uma das mulheres escolhidas e pedia para que o mesmo explicasse o porquê da sua escolha. Mas acontece que em alguns casos o experimentador entregava fotos das mulheres que não foram escolhidas pelos participantes, e 75% deles não perceberam isso. Isso rendeu explicações como “Ela é radiante” ou “Acho que ela parece mais simpática que a outra”, mesmo quando se referiam às fotos rejeitadas. Outros modelos deste experimento foram feitos utilizando escolhas de sabor de geleia (66% das pessoas não perceberam a troca), e de chás, como também foi citado por Mlodinow em seu livro.

O que podemos concluir dessas pesquisas é que as pessoas nem sempre tem consciência dos motivos que as levam a tomarem decisões e, portanto, devem existir outros fatores envolvidos em nossos processos mentais de tomada de decisão. Se você está pensando que isso afeta apenas coisas insignificantes como o nosso gosto para geleia, saiba que esse fenômeno se estende inclusive para o campo político. Em um estudo realizado pela universidade de Princeton e  citado no livro “Subliminar”, os cientistas pediram para que os voluntários avaliassem a competência de candidatos reais nas eleições governamentais e do senado nos Estados unidos com base em sua aparência. 72% dos candidatos avaliados como “competentes” por sua aparência no estudo acabaram vencendo as eleições para o Senado, enquanto que 69% venceram as eleições governamentais. Este e outros estudos demonstram como as nossas decisões podem ser influenciadas por informações que nem sabemos que estão sendo processadas pelo nosso cérebro. Neste caso, uma variável que não está ligada de fato à capacidade de exercer cargos políticos foi suficiente para prever com certo nível de precisão os resultados das eleições.

A concepção do inconsciente como um “universo obscuro e cheio de simbolismos” pode, aos poucos, ser substituída por explicações de origem evolutiva. Desta forma, ao invés de interpretar o inconsciente como uma espécie de entidade, podemos vê-lo como um mecanismo cerebral que foi herdado de nossos ancestrais hominídeos por ter demonstrado ser uma ferramenta útil para sua transmissão de genes e sua sobrevivência. Existe utilidade na capacidade do nosso cérebro processar informações sem que saibamos disso conscientemente, pois desta forma poderemos nos concentrar em outros estímulos mais relevantes. O mundo oferece uma quantidade de dados infinitamente maior do que podemos processar, e um cérebro que desse conta de todos esses estímulos seria inviável evolutivamente. Nós não somos uma exceção, e mesmo a nossa porção inconsciente não é capaz de captar todas as informações disponíveis no ambiente. Porém é extremamente útil possuir um mecanismo que gerencie os dados de uma forma que não ocupe a atenção consciente, pois sem isso nossos antepassados sequer conseguiriam fugir de um predador sem antes passar horas processando dados sobre sua aparência, cheiro ou sons que produz. Além disso, precisariam comer dezenas de quilos de comida para suprir a demanda energética desse super cérebro. Desta forma, não fomos moldados pela seleção natural para calcularmos deliberadamente os motivos e consequências de todas as nossas decisões e comportamentos. E isso é uma grande habilidade.

Herdando por acidente

Em 2000 professor e biólogo, Michael J. Skinner, estava em seu laboratório com a sua equipe fazendo testes em ratos com o intuito de avaliar o efeito danoso que agrotóxicos poderiam vir a ter em mulheres gestantes.  Os machos da primeira geração a nascer dessa prática, apresentaram ter testículos reduzidos e espermatozoides com menor atividade energética. Com o experimento concluído, a pesquisa se seguiu em fazer um novo cruzamento, mas pelo caso de uma troca acidental de ratos, o cruzamento seguinte foi efetuado com a prole gerada do procedimento anterior, e o curioso no final disso, foi que a linhagem seguinte nasceu com a mesma deformidade de seus pais. O evento deixou o Prof. Skinner severamente intrigado, pelo período de gestação em que a primeira geração foi exposta, a deformidade não poderia ter lhes alterado geneticamente e se tornado hereditariamente persistente.  Para avaliar a persistência de tal característica, ele continuou a fazer cruzamentos com a mesma linhagem isolada e notadamente, a alteração morfológica se manteve por mais cinco gerações. Até aquela época, a palavra “Epigenético” ainda era pouco usada.

Como sabemos, fator epigenético é uma informação extragenética que a partir de alterações no DNA (ou até de outros elementos que trabalham junto a ele) pode inibir ou ativar a função que certos genes desempenham para os organismos. Diversos fatores podem provocar a manifestação epigenética, na verdade as células em sim já possuem vários sistemas para administrar esses fatores para que não influenciem no DNA e que assim os genes continuem seu trabalho normalmente, mas ainda assim, alguns sistemas podem falhar na revisão e permitir que a informação epigenética possa ser fixada e propagada.

Os trabalhos do Prof. Skinner após os eventos 2000/2001, se fixaram em uma forma de informação epigenética, a que ele chamaria de “Epimutações”, ele acreditava na possibilidade de que esse tipo de informação poderia ser proveniente da exposição de substâncias cotidianas as quais teriam uma influência em nossas condições emocionais, como temperamento, estresse e ansiedade.  Além disso, apresentar hereditariedade, de acordo com o período de exposição à substância (propensão muito maior durante o período gestativo), e manifestações secundárias anatômicas ou fisiológicas.  Conforme Michael Skinner foi processando essa nova ideia e tirando novas conclusões de seus trabalhos, duas questões foram apresentadas: “É possível que a saúde de nossos filhos possa ter tido predeterminação a partir da gestação de nossos bisavós” e “O quanto isso possa definir a evolução da espécie”.

Michael Skinner tem publicações em revistas e artigos desde de 2005 evidenciando algumas de suas teorias. Em outros experimentos cruzando ratos e os expondo a outros compostos, conseguiram criar linhagens com outros padrões de comportamento, taxas metabólicas, fertilidade prematura. E a partir das avaliações feitas, olhos começaram a se voltar ao próprio homem. Como poderíamos comparar os efeitos das modificações transgeracionais na espécie humana? A revista Scientific American nº 148 disponibilizou uma matéria em divulgação a pesquisa do Prof. Skinner e a colaboração de outros pesquisadores em ajudar nessas questões. O que se pode concluir na relação entre epimutações e saúde foi que realmente, os indícios de que epimutações estão em ação são certos. Entrevistas com mulheres e coletas de dados feitos em lugares que apresentaram episódios de grande exposição às substâncias como dioxina e DDT ou em lugares que tiveram crises de escassez de alimento, apresentaram aumento no risco de infertilidade, pressão alta e predisposição às doenças cardíacas em até duas gerações seguintes. Distúrbios reprodutivos e metabólicos aparentam ser as manifestações mais comuns em humanos, apesar de que condições emocionais, como o estresse, já são suficientes para afetar as gerações seguintes.

A questão evolutiva ainda se encontra incerta, pois muitas das epimutações que ocorreram em ratos se corrigiram poucas gerações depois e ainda se encontram dificuldades em saber como avaliar isso na espécie humana. Se você procurar na internet, o mais provável é encontrar matérias falando que epimutações são quase irrelevantes para a mutação. Mas aí é que Michael Skinner entra de frente nesse argumento, que mesmo apesar de todas as variáveis que impedem a fixação desse tipo de informação, também encontramos muitos que podem induzir. Levando em consideração a quantidade variedades de mudanças transgeracionais que um ambiente pode induzir incluindo o fato de que uma mudança epigenética pode ter até mil vezes mais chance de ocorrer do que uma mutação normal, o que torna mais plausível ela ser subsequente de uma outra futura mutação que gerará melhores condições de sobre vivência para um organismo, o que ao mesmo tempo poderia explicar os curiosos casos de mutações mais avançadas do que o que seria previsto. E mesmo que alguns considerem essas especulações muito subjetivas e pouco metodológicas, Michael Skinner diz: “Nada está impedindo que isso possa acontecer”, aliás, até pouco tempo epigenética era algo que pouco se via a oferecer.